Há 16 anos a escavação de S. Mamede de Janas deitou por terra alguns mitos. Hoje continua-se a escrever o mesmo. Tempo de reescrever a vera História. E outros mitos.
Igreja rural de planta circular, com alpendre saloio, em volta, e centro de antiquíssima romaria que inclui a tradicional bênção do gado sob a protecção de S. Mamede. O templo, construído ao que se supõe, sobre as estruturas de um edifício romano, de que ainda é visível parte do «podium», conserva no seu interior uma imagem em pedra do padroeiro, do século XVI.
É assim que os guias turísticos a apresentam. Esquecendo que no final dos anos 80 o podium romano se foi, porque sepulturas medievais surgiram sob ele. A não ser que alguém se desse ao trabalho de erguer o podium para colocar os mortos meio atravessados sob ele, como Obelix faz com a pirâmide para esconder o nariz da esfinge, o que se escreve hoje já não é verdade. É sobre isso e ainda sobre a festa, tradição vivida em Agosto mas que tem um interesse que passa além daquele período do calendário, que me debruço num artigo que reflecte três décadas de conhecimento íntimo da estrutura, mesmo com um longo período de afastamento.
Mesmo sem a ida à romaria, a ermida está sempre nos meus planos de viagem na zona. É um remanso de paz, isolada junto de um bosque que nos sugere os espíritos oriundos do Norte do País, Jãs ou Jans. O mesmo Norte de onde pode ter vindo, preso ao culto pagão de S. Mamede, o priscilianismo, uma heresia mística que se propagou pelo Minho e Galiza. Hipóteses de trabalho lançadas em 1989 e ainda hoje exploráveis para se entender o mistério circular que S. Mamede de Janas representa.
Reportagem (texto e fotos) disponível para publicação. Diaporama apresenta algumas das imagens. Consulte-me para saber mais.
NOTA: leia o meu blog para saber mais.
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