A minha primeira câmara a sério era um caixote de fole do meu pai que usava para fotografar o Rally TAP nas classificativas de Sintra. Antes usara aparelhos que saiam nos furos dos bonecos da bola (coisa de outros tempos...), com que tentava fazer fotografia macro de abelhas. Nunca consegui e demorei algum tempo a perceber porquê.
O primeiro laboratório de preto e branco, tive-o na casa de banho familiar, em tardes que conseguia convencer a família a prescindir da comodidade. Consegui, excepto nas alturas em que a urgência me velou as experiências.
O circuito da fotografia amadora fez-se, com a passagem pela APAF (Associação Portuguesa de Arte Fotográfica), as exposições de rua – em cordas de roupa – nos jardins da Torre de Belém e as longas conversas sobre as vantagens do D-76 sobre as outras mistelas que cada um ia descobrindo.
Entretanto a ideia, inspirada pela revista francesa Photo-Reporter, de partir para a América do Sul e fazer reportagem fotográfica – era o tempo das agências Gamma, Sipa, Sigma, outros tempos – crescia... sem nunca chegar a concretizar-se. Não fui mais longe do que a Dinamarca, onde fiquei três anos.
No final dos anos 70 o Ar.Co, em Lisboa, tinha cursos de fotografia, e eu passei dois semestres a praticar o preto-e-branco. A ideia inicial - fazer reportagem na América do Sul – nunca vingou, mas o assalto das FP-25 a bancos no Cacém, a 5 de Maio de 1980, determinou de alguma forma o futuro: cobri o assalto para o Diário de Lisboa e o que se seguiu para o Portugal Hoje e outras publicações e fiquei excitado com o ritmo do fotojornalismo. No final de 1980 e até 1982 residi na Grã-Bretanha, em busca de opções como freelancer, enquanto tirava um curso de fotografia e fotojornalismo. A agência FPG, depois comprada pela Getty, aceitava os meus primeiros slides e enamorei-me eternamente do diapositivo. Até ao digital, em 1999.
Entre a escrita e a fotografia a ritmos profissionais passaram-se quase 30 anos, com momentos tão calmos como a fotografia da Natureza nas Lagoas de Bertiandos, ou o – penso que único – assalto à embaixada da Turquia em Lisboa, no verão de 1983. É essa experiência fotográfica e editorial multifacetada – e na qual o uso da tecnologia tem um papel importante desde sempre – que suporta as propostas apresentadas neste sítio da Internet.





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