Passei as três últimas semanas a correr para Mafra, para fotografar o Palácio daquela Vila, num trabalho a divulgar nacionalmente por uma revista, mas que coloquei também num espaço internacional que começa a ser uma opção de promoção para fotojornalistas.
As histórias por vezes caem-nos do céu. Como esta, que comecei a esboçar quando num dia em Mafra, para testar a Canon EOS 7D, deparei com trabalhadores pendurados dos telhados dos torreões do Palácio de Mafra, estendendo cabos cheios de luzinhas da iluminação de Natal.
A curiosidade originada pelos movimentos cedo se estendeu à vontade de criar imagem atrás de imagem daquelas figurinhas suspensas verticalmente, manchas escuras sobre a dura e alva pedra ou recortadas contra o o céu azul. De repente eis-me a fazer grandes planos, planos aproximados, procurando de um e outro lado as perspectivas mais dramáticas, até o céu se toldar e me convidar a desistir.
Voltei no dia seguinte e noutro ainda, até perder a conta às idas a Mafra, até ter imagens bastantes. Sempre me parecia faltar mais uma, mas de repente estávamos a caminho do fim, e a luz ia acender-se. Não pude faltar ao ensaio geral, à inauguração, ainda cheia de problemas que se resolveriam nos dias seguintes. Entretanto fui coleccionando mais imagens, com as voltas trocadas com o tempo, que por vezes me despejou em cima cargas de água nas noites que eu queria fotografar a iluminação.
O curto espaço de tempo do cair da tarde em que céu azul e luz se misturam obrigou a esperar que os dias abertos, sem chuva ou nuvens negras, dariam a aberta ao fotógrafo, felizmente obtida num dia que que tudo pareceu correr a preceito. Entre fotos feitas com a EOS 7D e a EOS 50D, criou-se uma colecção que agora tem vários destinos: um diaporama, talvez um livro ou postais/livros que contam todo o percurso da obra, e artigos para publicação. Além de um leque de imagens de arquivo que vão permitir explorar outras opções de comercialização no futuro, do banco de imagens à construção de novas narrativas que se desenham ante o trabalho nas alturas executado por alguns dos que montaram todo o espectáculo.
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